Quarta, 15abr, arrumamos nossas coisas com calma e nos dirigimos para a estação de trem Budapest-Kelenföld. Bem confuso para achar as plataformas, onde o onibus parou parecia um local abandonado, aí seguimos o fluxo até entramos na estação, que aí sim é daquelas grandes, mas mesmo assim bem de longe agradável como as demais que já usamos.
Nosso trem, um RegioJet, das 11:58 com 2h30 de viagem, chegando em Vienna pelas 14h25. O trem estava bem legal, boas poltronas, limpo. Seguimos viagem rumo a Áustria. Eu foi a terceira visita a Áustria, para a Mi a segunda. Em 2018 eu e a Mi fizemos de moto parte dos Alpes e passamos por lá, dormimos nas montanhas perto de Halstatt e também fizemos o Passo Grossglockner. Em 2019 de moto novamente eu passei no Grossglockner, mas não dormi no país.
População do país (Áustria): Cerca de 9,2 milhões de habitantes. São Paulo tem 12 milhões.
População da cidade (Viena): Cerca de 2 milhões de habitantes.
População da região metropolitana: Cerca de 2,9 milhões de habitantes. Mesma que Brasília.
Área do país: 83.883 km2. Muito parecida com o estado de Santa Catarina (que tem cerca de 95.700 km2).
Idiomas oficiais: Alemão (Deutsch) oficial nacional, Croata (hrvatski) oficial na região de Burgenland,
Esloveno (slovenščina) oficial na região da Caríntia, Húngaro (magyar) oficial na região de Burgenland
Viena, capital da Áustria situada às margens do Rio Danúbio, coração da música clássica, foi o centro político do poderoso Império Austro-Húngaro governado pela dinastia Habsburgo. Marcada por palácios imperiais barrocos como o Schönbrunn, o Hofburg e o Belvedere, a cidade respira a genialidade de antigos moradores como Mozart, Beethoven e Sigmund Freud.
Chegamos e nos deslocamos para o bairro Favoriten, distrito mais populoso da capital austríaca, localizado na região sul da cidade, conhecido por sua grande diversidade cultural, áreas industriais revitalizadas e por abrigar a moderna Estação Central de Comboios de Viena (Wien Hauptbahnhof).
O apartamento que reservamos ficava bem localizado, perto de metro, tram e onibus, o Steiner Residences Vienna Reumannplatz. Um dos mais legais da viagem. Ambientes separados, muito espaçoso, cozinha completa e máquina de lavar roupa (louça também), muito confortável, e o preço de EUR 60. Vale lembrar que viajamos fora de temporada, e isso faz uma diferença gigante nos valores, e ainda tem a vantagem de estar tudo mais tranquilo.
Como de praxe, nos acomodamos, tomamos um banho, descansamos um pouco e fomos para o centro. Pegamos o metro na estação Reumannplatz e descemos bem no centro na estação Stephansplatz. Primeiros demos uma volta ao redor da Catedral de Santo Estêvão, de 1137, por várias vezes incendiada e reconstruída.
Como já era perto das 18h e nesse dia nem almoçamos, procuramos o mais óbvio, um Wien Schnitzel. Fomos no Schnitzel One que estava muito agradável.
O schnitzel veio acompanhado com uma salada de batata bem gostosa, com limão e uma geleia de frutas vermelhas. Pedimos também um Gebackener (queijo frito empanado), não tem com não ser gostoso né. Para acompanhar, adivinhem? cerveja escura.
O entorno do centro velho é um conjunto de palácios com jardins enormes, na realidade todos os prédios por lá são enormes. Fomos andando pelos jardins do Burggarten
Antes de continuar o relato, para entender mais de Viena e doutros lugares que visitamos (Eslováquia, Eslovenia, Itália, Croácia, Tcheca, Espanha) importante fazer um resumo histórico dos Habsburgo.
Império Romano (Província de Noricum): Século I a.C. – Século V d.C.
Ducado da Áustria (Dinastia Babenberg): 976 – 1246
Império Habsburgo (Monarquia de Habsburgo): 1278 – 1804
Império Austríaco: 1804 – 1867
Império Austro-Húngaro: 1867 – 1918
Primeira República da Áustria: 1919 – 1934
Anexação à Alemanha Nazista (Anschluss): 1938 – 1945
Ocupação Aliada: 1945 – 1955
Segunda República da Áustria (Dias Atuais): 1955 – Presente
A Casa de Habsburgo, originária de uma humilde fortaleza medieval na atual Suíça no século XI, ascendeu ao longo dos séculos para se tornar uma das dinastias mais influentes, poderosas e longevas da história global, governando o Sacro Império Romano-Germânico, a Áustria e, no seu apogeu sob Carlos V, um império ultramarino espanhol. "Deixa os outros fazerem guerra, tu, feliz Áustria, casa-te", o que lhes garantiu o controle de vastos territórios que incluíam a Hungria, a Boêmia, os Países Baixos, partes da Itália entre outros.
A família liderou o brilhante e multicultural Império Austro-Húngaro, transformando Viena e Budapeste em capitais mundiais da cultura e da arquitetura. Até que a derrota na Primeira Guerra Mundial, em 1918, forçaram a abdicação do último imperador, Carlos I, encerrando formalmente quase um milénio de soberania política na Europa central.
O Palácio Albertina foi o maior palácio residencial da dinastia Habsburgo. Fica ao lado da Ópera Estatal e integrado ao complexo do Palácio Imperial de Hofburg, ele fica no topo de um dos últimos trechos restantes das antigas muralhas de Viena (o Bastião de Santo Agostinho).
Como já estava escurecendo e foi dia de viagem, voltamos mais cedo para o apartamento para descansar. Paramos em um mercado e compramos algumas coisas para comer no café da manhã do outro dia.
Na manhã da quinta, depois de tomar um café no ap, voltamos para o centro. A Mi tinha reservado entrada no Museu da Sissi, e enquanto ela foi fazer a visita fiquei vagando pelos arredores. Primeiro percorri os pátios do maravilhoso Palácio de Hofburg (onde também ficava o Museu da Sissi) e facilmente fui longe, com tanta coisa linda pra ver.
Depois da visita a Mi me encontrou no meio do caminho e voltamos para ver os locais que fui e outros mais a frente.
Acima, a Rathaus, a imponente Câmara Municipal (Prefeitura) de Viena, de 1872.
O Palácio Imperial de Hofburg era a joia da coroa: o verdadeiro centro nervoso, político e espiritual do império. Foi a residência oficial de inverno da dinastia por mais de 600 anos (de 1273 até a queda da monarquia em 1918). O Hofburg não foi construído a partir de um único projeto. Ele começou no século XIII como um castelo medieval fortificado e novas alas, pátios e edifícios eram anexados com o tempo. O resultado atual é um colosso de 18 alas, 19 pátios e mais de 2.600 salas, misturando perfeitamente estilos que vão do Gótico ao Renascentista, passando pelo Barroco exuberante e pelo Neoclassicismo.
Elisabeth da Baviera (nascida em 1837 atual Munique e morta em 1898 com 61 anos), mais conhecida como Sissi, foi Imperatriz da Áustria, desafiou as rígidas amarras do protocolo da corte de Viena no século XIX. Casada com o Imperador Francisco José I, Sissi viveu uma realidade sufocante e repleta de tragédias, incluindo a perda traumática do seu único filho único.
Tinha uma obsessão extrema pela sua própria beleza e pelo culto ao corpo, passando a maior parte da vida a viajar e a fugir da opressiva vida pública vienense.
Conhecida pela sua forte ligação e simpatia para com o povo da Hungria, onde teve um papel diplomático crucial na consolidação do Império Austro-Húngaro, a sua trajetória errante e solitária teve um fim trágico em 1898, quando foi assassinada por um anarquista italiano à beira do Lago de Genebra
A Igreja Votiva do Divino Salvador (Votivkirche), uma obra-prima da arquitetura neogótica, das mais importantes do mundo. Inaugurada em 1879.
Possui três naves, e imponentes torres gêmeas vazadas de 99 metros de altura e pelo seu interior ricamente adornado com vitrais espetaculares.
Já perto do meio dia, estomago roncando, estávamos com vontade de comer um legítimo pão com linguiça austríaco. Versão popular nas tradicionais barracas de rua (Würstelstand) é o Käsekrainer. Linguiça recheada com queijo derretido (Käsekrainer) inteira dentro de um pão baguete que foi previamente perfurado e recheado com mostarda ou ketchup.
Destaque para o tio da barraca que não falava sequer yes em inglês hehe Pedi também um cerveja long neck comum, e a Mi pegou um suco em em estabelecimento que aproveitamos para sentar e comer.
Dali pegamos o metro para a estação Schönbrunn, para visitar esse outro palácio, que nos impressionaou demais.
Só visitamos a área externa, que já é praticamente uma viagem.
O Palácio de Schönbrunn, conhecido como o "Versalhes Vienense", é um dos monumentos barrocos mais grandiosos e culturalmente significativos da Europa, tendo servido por séculos como a principal residência de verão da dinastia Habsburgo no coração de Viena. Originalmente concebido para ser um pavilhão de caça imperial no final do século XVII, o complexo foi transformado numa opulenta obra-prima palaciana sob os desejos da Imperatriz Maria Teresa e, mais tarde, tornou-se o local de nascimento e de habitação favorito do Imperador Francisco José I e da Imperatriz Sissi. Com mais de 1.400 aposentos reais decorados no requintado estilo Rococó, inclue o célebre Salão de Espelhos onde um jovem Mozart se apresentou aos seis anos de idade, sendo emoldurado por jardins geométricos colossais de acesso livre que abrigam monumentos como a impressionante estrutura da Gloriette, o labirinto real e o Tiergarten Schönbrunn, reconhecido como o jardim zoológico mais antigo do mundo ainda em funcionamento.
Fonte de Netuno, do Séc XVIII, barroca.
O palácio tem os jardins, 1,6 km2, para ter uma ideia, da entrada, passando pelo prédio principal, atravessando os jardins laterais, depois atravessando o jardim principal, a fonte Netuno, subindo a colina até o Gloriette, são cerca de 3km, de pura beleza e capricho.
A Gloriette de Schönbrunn, imponente estrutura neoclássica erguida em 1775 no topo da colina de sessenta metros de altura voltada para o Palácio de Schönbrunn, foi concebido pela Imperatriz Maria Teresa para glorificar o poder dinástico dos Habsburgo e homenagear os soldados caídos em combate. Projetada pelo arquiteto Johann Ferdinand Hetzendorf von Hohenberg e construída com pedras reaproveitadas de um palácio vizinho demolido, a monumental colunata coroada pela imponente águia imperial funciona hoje como um mirante panorâmico da capital austríaca e vista dos jardins reais à silhueta urbana da cidade.
Voltamos para o centro para ir pegar a famosinha torta para a Milene.
A Sachertorte (Torta Sacher) é o doce mais famoso de Viena, um bolo de chocolate denso estruturado com recheio de geleia de damasco e inteiramente envolvido por uma brilhante e espessa cobertura de glacê de chocolate amargo. Criada em 1832 pelo jovem aprendiz de confeiteiro Franz Sacher, de apenas 16 anos, para impressionar o exigente Príncipe Metternich.
Mimo de EUR 10,90...
Pegamos um tram até o Belvedere-Schlossgarten (Jardim do Palácio Belvedere), um magnifico jardim estilo barroco, projetado por volta de 1700 pelo arquiteto paisagista francês Dominique Girard, um discípulo do criador dos jardins de Versalhes.
Na saída do metro Reumannplatz paramos na Schnitzel FAN, um fast food, e pegamos um schnitzel de frango e um Leberkäse (ou Fleischkäse), um bolo de carne assado. Bem mais ou menos... Esse foi nosso jantar do dia.
Mas para aquele dia estava ótimo, mais um que andamos que nem camelo, 14km.
Descansamos cedo para no dia seguinte (17abr, sexta) fazer um bate e volta para outro país... coisas de Europa.
18abr, sábado, acordamos de madrugada, 4h, para fazer a saga da viagem para o próximo país.