O dia em Viena começou cedo, muito cedo, 3h da madrugada. Deixamos o apartamento e fomos para o metro e depois um bus até o aeroporto. Como padrão, chegamos bem mais cedo que o necessário, nosso voo da Rayanair para Dubrovnik, Croácia, era as 5h50.
O avião era dos pequenos, até aí nenhuma novidade, eu fiquei na frente e a Mi mais no rabo do avião, pois não reservamos poltronas para um voo de 1h20 somente. O trajeto é muito lindo, quando chega na costa do Adriático o visual das montanhas impressiona.
Mas o perrengue começaria ali... vento, muito vento, o avião balançou muito, principalmente lá na calda. Ao tentar aterrisar, não deu, arremeteu praticamente ao escostar as rodas na pista. Fez uma volta longa, baixou um pouco, balançou e... atravessou o Adriático até Bari, lá na Itália. Pousou e ficou na pista parado por 3h aguardando os ventos diminuirem, por sorte abriram a porta durante esse tempo. Nesse meio tempo consegui fazer contato com a locadora de veículos para avisar que iríamos atrasar ou nem conseguir chegar, eles já estavam sabendo da situação, então sem problema. O comandante avisou que tentaria uma nova aterrisagem e se não desse retornaríamos para Viena, credo, imagina o transtorno.
Depois uma tensa aproximação bem balançada, o avião aterrisou em segurança, ufa!
No aeroporto mesmo já fomos procurar a locadora que nesse caso foi a Alamo, pegamos um Toyota Yaris, mecânico, bem rodado, o que deu um certo receio, mas sem nenhum problema durante todos os dias. Tivemos que pagar uma taxa extra (€50) para poder atravessar para outros países, o que é padrão nesses casos. €287 por 9 dia e ainda com seguro total.
Com o atraso todo já era 12h e então seguimos para Montenegro já de olho no caminho para encontrar algo para comer. Fomos pela Jadranska Magistrala, a Rodovia do Adriático, que até achamos tivesse mais estabelecimentos turísticos como restaurantes, mas não.
Depois de passar pela fronteira Croata, onde tivemos que descer do carro para tirar foto em todas as passagens, seguimos até a outra aduana agora de Montenegro, que tinha somete um atendente do lado contrário, pois o outro estava no horário do almoço, apenas entregamos passaportes e documento do carro e tudo certo.
Mais a frente, na vila litorânea de Igalo tinha um restaurante aberto e paramos para experimentar Bem local com, sem turista nenhum, pedimos dois pratos bem típicos dos balcãns, Cevapi e o Pljeskavica. Os dois são basicamente a mesma coisa só que em formatos diferentes, carnes bovina e suina e as vezes cordeiro moldadas assadas, muito parecido com uma kafta, mas sem o tempero árabe. Gostoso e barato.
Império Romano e Império Bizantino: Século I a.C. – Século XI d.C.
Principados Medievais Eslavos (Duklja e Zeta): Século XI – Século XIV
Domínio Otomano (Interior) / República de Veneza (Costa): Século XV – 1878
Principado e Reino de Montenegro (Independência Reconhecida): 1878 – 1918
Integração ao Reino da Iugoslávia: 1918 – 1941
Ocupação Fascista Italiana / Nazista Alemã: 1941 – 1944
República Socialista de Montenegro (Iugoslávia Comunista): 1945 – 1992
República de Montenegro (União com a Sérvia): 1992 – 2006
Montenegro (Independência Restaurada): 2006 – Presente
População do país (Montenegro): Cerca de 620 mil habitantes. Equivale a cidade de Joinville.
População da cidade (Kotor): Cerca de 20 mil habitantes.
Área do país: 13.812 km2. Sergipe, nosso menos estado tem 22mil km2
Idioma oficial: Montenegrino (crnogorski jezik)
Aninhada em uma baía que lembram fiordes, Kotor foi, por mais de um milênio, uma das fronteiras militares mais disputadas da Europa. O imperador bizantino Justiniano I quem percebeu o potencial defensivo do lugar no século VI, e iniciou a construção das muralhas que sobem em zigue-zague a montanha de São João (San Giovanni), com paredes de 16 metros de espessura. Por escolha própria foi por quase 400 anos domínio da República de Veneza (1420–1797) que a transformou em uma fortaleza praticamente impenetrável contra o avanço do Império Otomano. Ergueram portões renascentistas e desenharam um labirinto de ruelas e palácios barrocos no centro histórico.
Em 15 de abril de 1979, um terremoto de magnitude 7.0 sacudiu a costa de Montenegro, o centro histórico de Kotor foi devastado: palácios desmoronaram, a icônica Catedral de São Trifão sofreu danos severos e metade da infraestrutura da cidade velha veio abaixo. Foi necessário um esforço internacional de reconstrução, que durou quase duas décadas, para restaurar pedra por pedra, usando as técnicas originais, permitindo que a cidade reabrisse suas portas exatamente como era no passado.
A Baía de Kotor, em montenegrino e croata Boka Kotorska, é um cânion fluvial inundado pelo Mar Adriático. O nome histórico, Baía de Cattaro, herda o termo italiano usado pela República de Veneza, que dominou a região por quase 400 anos. Sua geografia, que lembra o desenho de uma borboleta, é cercada por imensos paredões de rocha calcária com mais de 1.800 metros de altura.
Reservamos o Casa Collection, um apartamento que fica muito bem localizado, mas para quem está de carro, pois para chegar nele é uma estrada bem sinuosa, depois ruas estreitas e sinuosas. Mas a vista do apartamento é sensacional, vale muito. O quarto é um tanto mais simples, com uma cozinha pouco estruturada, mas tudo muito limpo e confortável.
Descemos (de carro) até o centro de Kotor para conhecer. Não é só o caminho que impressiona, a chegada no centro é surreal. A baía praticamente encostada do pé da montanha, e a muralha!
O centro velho, dentro dos muros, é encantador, lembra muito várias pequenas vilas que conhecemos na Itália, e isso tem uma razão, foram 400 anos parte do Império Veneziano. Depois de percorrer as simpáticas ruelas procuramos um restaurante para jantar. Escolhemos um mais longe da praça, talvez não foi a melhor escolha, mas mesmo assim ok. A Mi queria o cozi, mas acabou que veio ele sem ser na casca, o que é bem diferente. Eu pedi uma massa ao mare, que estava gostosa, mas os camarões não estavam no ponto correto. Não é sempre que acertamos né...
Ao menos o lugar era sensacional, imersos num pátio medieval, cercados de muitos gatos, devia ter uns dez, e esfriando bastante.
Retornamos para o apartamento para descansar.
No domingo, logo cedo voltamos para o centro, para agora ver de dia a cidade.
Depois pegamos o carro e fomos até Perast, uma praia que fica bem na saída da boca de Kotor.
O problema por ali é estacionar, mas a Mi lembro de ter visto um estacionamento na beira mar que falava também de passeio de barco. acertou em cheio. Era um pacote, estacionamento e passeio pela ilha, com preço bem abaixo, de baixa temporada.
Na época da República de Veneza, Perast foi uma potência naval riquíssima, lar de capitães, ricas famílias de armadores e uma frota de dar inveja. Essa opulência do passado ficou eternizada em suas pedras: a vila abriga nada menos que 16 palácios barrocos e 19 igrejas (entre católicas e ortodoxas), tudo aninhado sob a sombra do Monte Ilija.
A Ilha de São Jorge (Ostrvo Sveti Đorđe) é natural e cercado por mistério, que abriga um monastério beneditino do século XII e um antigo cemitério da nobreza naval de Perast, o que lhe rendeu o apelido sombrio de "A Ilha dos Mortos". Sendo uma propriedade privada da Igreja e fechada para o desembarque de turistas, ela exala uma atmosfera melancólica sob a sombra de seus imponentes ciprestes escuros, servindo também de cenário para a trágica lenda de amor de um soldado napoleônico e sua amada, conhecidos como o "Romeu e Julieta" dos Bálcans.
Essa é uma ilha privada, da Igreja, e não aberta aos turistas.
Nossa Senhora das Rochas (Gospa od Škrpjela) é a única ilha artificial do Mar Adriático, construída ao longo de duzentos e cinquenta anos por marinheiros de Perast que cumpriam um juramento religioso jogando pedras e afundando embarcações velhas ao redor de um rochedo onde havia sido encontrada uma imagem da Virgem Maria. Hoje, o local abriga uma icônica igreja barroca de cúpula azul e um museu repletos de oferendas e ex-votos de prata deixados por navegadores em agradecimento por milagres no mar, mantendo viva a tradição da Fašinada, uma procissão anual de barcos que joga novas pedras para reforçar a estrutura.
Ao retornar, começamos o retorno para a Croácia, até Dubrovnick, mas agora atravessamos a baía de balsa, para uma experiência diferente.