Segunda, 13abr, 10h, pegamos um tram para aeroporto Vaclav Havel, de Praga. Nossas passagens para Budapeste foram pela Ryanair, 14h10 com 1h20 de voo direto. Sempre um saco aeroporto, mas foi tudo tranquilo e rápido. Era o primeiro voo interno na Europa da viagem, e nosso receio eram implicar com as bagagens de bordo e quererem cobrar o despacho, mas deu boa, sem estresse nenhum.
População do país (Hungria): Cerca de 9,6 milhões de habitantes. São Paulo tem 12 milhões.
População da cidade (Budapeste): Cerca de 1,68 milhão de habitantes.
População da região metropolitana: Cerca de 3 milhões de habitantes. Mesma que Brasília.
Área do país: 93.030 km2. A Hungria tem praticamente o mesmo tamanho de Santa Catarina.
Idioma oficial: Húngaro (magyar nyelv)
Budapeste, a deslumbrante capital da Hungria, nasceu oficialmente em 1873 a partir da fusão de três cidades vizinhas cortadas pelo Rio Danúbio: a colinar e histórica Buda (antiga sede real), a pacata Óbuda e a vibrante e comercial Peste. A ocupação da região remonta ao Império Romano, quando a colônia de Aquincum floresceu no local, sendo mais tarde dominada pelas tribos magiares no século IX e enfrentando, ao longo de sua trajetória, séculos de ocupação otomana no século XVI e a posterior integração ao poderoso Império Austro-Húngaro, período em que a cidade viveu sua "Era de Ouro" arquitetônica e cultural com a construção de monumentos como o Parlamento e a Ponte das Correntes. O século XX trouxe cicatrizes profundas com a destruição quase total durante a Segunda Guerra Mundial, o Holocausto e as décadas de opressão soviética — marcadas pela sangrenta Revolução de 1956 —, mas o colapso do comunismo em 1989 permitiu que Budapeste se reerguesse como uma das metrópoles mais vibrantes, artísticas e resilientes da Europa Central, famosa também por suas termas romanas e otomanas.
Do aeroporto de Budapeste até o apartamento que reservamos foram 40min de ônibus. O caminho não é muito bonito, inclusive deu até receio de nos desapontarmos com a cidade, passamos por um bairro com muitos imigrantes, e nas calçadas todos colocando muitos móveis usados, quebrados, sofás etc mas achamos que era algum dia de coleta.
Outra ótima acomodação da viagem, o Palms Apartments Budapest, localizado no bairro judeu no centro, Zsidónegyed. Um verdadeiro apartamento com toda a estrutura. Nesse nem aproveitamos a cozinha, fica para a próxima. Na entrada do andar tem uma ante sala com máquina de lavar roupas, e uma série de itens de cozinha e diversos que os hospedes vão deixando, muito legal e útil.
Depois nos acomodar, pelas 17h30, já pegamos nossas coisas e fomos passear, anciosos por conhecer a tão falada Budapeste! Queríamos aproveitar o entardecer e anoitecer para ver as luzes refletidas no Danúbio.
O Rio Danúbio é o segundo rio mais longo da Europa (atrás apenas do Volga) e a via fluvial mais internacional do planeta, nascendo na Floresta Negra, na Alemanha, e correndo por cerca de 2.850 quilômetros rumo ao leste até desaguar no Mar Negro, através de um vasto e preservado delta na Romênia e Ucrânia. Atuando como uma artéria vital de comércio, cultura e integração europeia, o rio banha ou serve de fronteira para dez países e cruza quatro grandes capitais do continente (Viena, Bratislava, Budapeste e Belgrado). Historicamente, o Danúbio serviu como uma das fronteiras mais fortificadas do Império Romano contra as tribos bárbaras e, hoje, continua sendo uma fonte essencial de energia, transporte e inspiração artística.
A Estação Opera do metrô, localizada na icônica Avenida Andrássy, logo abaixo do monumental edifício da Ópera Estatal Húngara, faz parte da histórica Linha M1 (a Linha Amarela), inaugurada em 1896. Foi o primeiro sistema de metrô eletrificado do continente europeu (e o segundo do mundo, logo após o de Londres). Ao contrário das estações modernas e profundas de outras linhas, a estação Opera fica logo abaixo do nível da rua e preserva uma atmosfera aristocrática do final do século XIX. Ela foi totalmente restaurada para manter o seu visual original, contando com paredes revestidas de azulejos brancos e castanhos em estilo vintage, colunas de ferro fundido elegantes e bilheteiras e acabamentos em madeira escura trabalhada.
Principado e Reino da Hungria (Tribos Magiares): 895 – 1526
Domínio Otomano (Centro-Sul) / Domínio Habsburgo (Oeste-Norte): 1526 – 1699
Império Habsburgo: 1699 – 1867
Império Austro-Húngaro (Dualidade): 1867 – 1918
Regência do Reino da Hungria (Alinhamento Eixo): 1920 – 1944
República Popular da Hungria (Bloco Soviético): 1949 – 1989
República da Hungria (Dias Atuais): 1989 – Presente
Basílica de Santo Estêvão, Szent István Bazilika
Fomos andando pelas ruelas e ruas encantadoras, cada prédio uma obra, uma fachada ornamentada, tudo lindo demais.
Logo chegamos na orla do Danúbio, uauuu!
Fomos contemplando a vista para Buda, e paramos em frente ao Parlamento.
O memorial Sapatos no Cais do Danúbio (Cipők a Duna-parton) é um dos monumentos históricos mais tocantes de Budapeste, criado para homenagear os judeus húngaros assassinados pelo partido fascista húngaro Cruz Flechada entre 1944 e 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.
O Parlamento de Budapeste (Országház), inaugurado em 1904 após quase duas décadas de construção, foi erguido logo após a unificação das cidades de Buda, Óbuda e Peste em 1873, dentro do Império Austro-Húngaro. Com uma imponente arquitetura neogótica coroada por uma cúpula de influência renascentista de 96 metros de altura — número que homenageia a chegada dos magiares à região no ano 896 —, o colossal edifício exigiu o trabalho de milhares de operários e a utilização de cerca de 40 quilos de ouro de 24 quilates na sua luxuosa decoração interna. Apesar de ter sobrevivido aos intensos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial e de ter ostentado uma estrela vermelha no topo durante as décadas de opressão soviética, o Parlamento recuperou o seu papel de coração da democracia húngara com a queda do comunismo em 1989, abrigando hoje a histórica e sagrada Coroa de São Estêvão e consolidando-se como o maior edifício da Hungria.
Quando começou a escurecer seguimos para uma das pontes que atravessa o Danúbio, para subir a colina Buda e ter a vista de Peste toda iluminada. Além, claro, de ver o Palácio de Buda, também iluminado.
as três leoas...
Pegamos um ônibus de volta para o apartamento e na frente paramos em um restaurante, dos muitos daquele bairro, o Retro Goulash House.
Para quem me conhece, sabe que adoramos cozinhar, e um dos meus pratos que mais gosto de cozinhar é o Goulash, que tem origem exatamente da Hungria. Então claro que queria conhecer a receita deles. Já tínhamos comido goulash nessa viagem, mas na Polônia.
Pedimos os dois pratos bem típicos: um goulash tradicional, e um Langosh tradicional, massa à base de farinha, batata, fermento e leite que é frita em imersão até ficar dourada e crocante por fora e incrivelmente macia por dentro, servida com coberturas generosas de óleo de alho, tejföl (um creme de leite azedo típico) e muito queijo de cabra ralado.
E para acompanhar, claro, cerveja escura.
E nesse dia andamos mais 12km. Vale comentar que andar tanto não se trata de economia de bilhete de transporte, mas sim de manter o exercício em dia (contraponto com a alimentação) e também de imersão, andando conseguimos ver e sentir muito mais do local.
Na manhã seguinte primeiro fomos sentido contrário do Danúbio, pegamos o metro e paramos na estação Széchenyi fürdő (Termas Széchenyi), que fica dentro do Városliget (Parque de Budapeste), logo ao lado da terma.
Fomos apenas conhecer, estava bem friozinho, e apesar de ser termas não poderíamos ficar o ktempo necessário para valer a pena.
O parque é muito bonito, grande, tem um zoo (que não fomos, Mi não curte), tem um castelo que mistura de forma harmoniosa elementos dos estilos românico, gótico, renascentista e barroco, rodeado por um lago artificial que vira pista de patinação no gelo no inverno e abrigando hoje o Museu da Agricultura Húngara.
Mais a frente a praça dos Heróis, inaugurada em 1896 para celebrar o milenário da fundação da Hungria. Ao lado o Museu de Belas Artes e pelo Palácio da Arte.
Castelo de Vajdahunyad (Vajdahunyad vára)
Praça dos Heróis (Hősök tere)
Terminamos o passeio por ali por volta das 10h30 e pegamos novamente o metro para o centro para agora atravessar a ponte e visitar a colina de Buda, agora durante o dia.
Descemos na orla e subimos até o Bastião dos Pescadores (Halászbástya), um dos mirantes mais deslumbrantes de Budapeste. É uma estrutura neogótica e neorromânica erguida entre 1895 e 1902. O monumento, que deve o seu nome à guilda dos pescadores que na Idade Média defendia aquele trecho das muralhas do castelo, é composto por sete torres de pedra branca que simbolizam as sete tribos magiares que fundaram a nação no ano 896. A estátua equestre de bronze na entrada é de São Estêvão.
A Igreja de Matias (Mátyás-templom), oficialmente chamada de Igreja de Nossa Senhora, é um dos templos católicos mais emblemáticos e historicamente ricos de Budapeste, localizada no coração do distrito do Castelo de Buda e consagrada originalmente no século XI pelo Rei São Estêvão. Reconstruída no deslumbrante estilo gótico tardio durante o século XIV e mais tarde rebatizada em homenagem ao Rei Matias Corvino. Foi transformada na principal mesquita da cidade durante o período de ocupação otomana no século XVI e servido como o palco solene para a coroação dos últimos reis do Império Austro-Húngaro, incluindo Francisco José I e a Imperatriz Sissi. O seu visual atual resulta de uma profunda restauração realizada no final do século XIX pelo arquiteto Frigyes Schulek, que acrescentou à fachada a sua famosa e imponente torre de agulha e cobriu o telhado com as icónicas e coloridas telhas de cerâmica Zsolnay, transformando o interior do templo — decorado com afrescos românticos, vitrais detalhados e um museu de arte sacra.
Continuamos caminhando até a extremidade oposta da colina, as costas da colina. Ali tem um passeio muito agradável, bem arborizado, ainda mais na época da floração das cerejeiras.
Continuando a margear a colina chegamos ao Castelo de Buda. Passeamos por todo o pátio e entorno do castelo, mas resolvemos não entrar para ver os museus. Tivemos oportunidade de ver uma troca de guardas, que filmamos e vai estar no vídeo da viagem.
O Castelo de Buda (Budavári Palota), foi fundado originalmente no século XIII pelo Rei Béla IV como uma fortaleza medieval para proteger a população após a devastadora invasão mongol, transformando-se mais tarde numa das cortes mais luxuosas da Europa Renascentista sob o reinado de Matias Corvino. Ao longo dos séculos, o complexo sofreu destruições quase completas, destacando-se a devastação durante a libertação cristã contra a ocupação otomana no século XVII, que levou à edificação de um monumental palácio barroco pelos Habsburgo. Também severos danos na Segunda Guerra Mundial, foi totalmente restaurado na segunda metade do século XX.
Rei Matthias e seus cães de caça
Já pelas 13h, descemos a colina e pegamos um tram até a ponte Szabadság híd, Ponte da Liberdade, atravessamos e fomos até o Grande Mercado, Nagycsarnok. Muito bonito, inaugurado em 1897, imponente arquitetura neo-gótica de tijolos vermelhos e telhado revestido com as coloridas telhas de cerâmica Zsolnay. e com muita cultura gastronômica. Na parte de cima tem uns restaurantes típicos, bancas que servem a comida para se comer em balcões de pé.
Pedimos um dos pratos, sem imaginar a quantidade absurda que viria de comida, mas fizemos (fiz) questão de não deixar nada. O nome tradicional ficaremos devendo, mas tinha linguiças, bolinhos de carne, carne na folha de repolho, chucrute, repolho roxo, molho azedo e um molho de papicra bem picante. Sensacional!
Ainda pegamos na parte de baixo uns doces húngaros para levar para o apartamento, mas não tiramos fotos e também não lembramos do nome, só sabemos que era muito bom.
A Ponte da Liberdade (Szabadság híd), foi inaugurada em 1896 pelo Imperador Francisco José I como parte das celebrações do Milénio da Hungria. Assim como as outras pontes da cidade, a estrutura foi implodida pelas tropas alemãs em retirada durante a Segunda Guerra Mundial, em janeiro de 1945, mas devido aos graves danos sofridos e à urgência de restabelecer a ligação sobre o Rio Danúbio, ela foi a primeira a ser totalmente reconstruída e reaberta já em agosto de 1946.
Depois de uma breve pausa nos bancos da orla ao lado do mercado, atravessamos novamente a ponte até Buda para visitar a peculiar Igreja da Caverna, Gellérthegyi Barlang (Caverna da Colina Gellért).
A história remonta à Idade Média, quando as suas grutas naturais eram habitadas por eremitas, com destaque para São Estêvão (Szent Iván), um monge curandeiro que utilizava a água termal lamacenta de um lago subterrâneo local para tratar os doentes da região. Em 1926, inspirados pelas grutas de peregrinação de Lourdes, na França, um grupo de monges da Ordem de São Paulo Eremita (Paulinos) transformou a cavidade rochosa num santuário e mosteiro. Serviu como hospital de campanha para o exército húngaro e para refugiados durante a Segunda Guerra Mundial. Com a chegada do regime comunista à Hungria, a igreja sofreu uma dura repressão, sendo encerrada à força em 1951 pela polícia secreta, que executou o seu líder espiritual e selou a entrada da caverna com uma espessa parede de betão de dois metros de altura; contudo, com a queda do Telhado de Ferro em 1989, o betão foi finalmente demolido, permitindo que os monges paulinos regressassem para reabrir a gruta em 1992, que hoje funciona como um local de culto ativo e monumento de resistência histórica.
Final do dia, hora de tomar um outro café. Quisemos conhecer o famoso café New York. Até achamos que não iríamos conseguir, pois sempre falam de reservas, filas enormes etc mas estava bem tranquilo, depois entendemos porque... só sentamos, olhamos o cardápio, levantamos, tiramos umas fotos e saímos. Nunca pagaria o preço de uma café e uma fatia de bolo sugerido lá.
Café New York
Fomos para um outro café que tínhamos visto uma indicação de uma viajante, o Párisi Udvar Hotel Budapest. Não vamos dizer que foi barato o café, mas ao menos viável. Valeu pelo lugar, que é maravilhoso e tem uma história melhor ainda.
O Párisi Udvar Hotel Budapest possui uma história fascinante que começou em 1817, quando o Barão József Brudern encomendou a construção do edifício Brudern-ház, que abrigava a primeira galeria comercial moderna da Hungria — inspirada na famosa Passage des Panoramas de Paris, o que fez os locais apelidarem o espaço de "Párisi Udvar" (Pátio Parisiense). Em 1909, o terreno foi adquirido pelo Banco de Poupança Central de Budapeste, que encarregou o arquiteto alemão Henrik Schmahl de erguer uma nova e monumental sede; concluído em 1913, o palácio impressionava pelo seu estilo eclético que misturava elementos neo-góticos, Arte Nova e mouriscos, coroado por uma espetacular cúpula de cristal e decorado com mais de 250 mil azulejos de cerâmica Zsolnay e pisos Villeroy & Boch. Embora tenha sobrevivido milagrosamente intacto aos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial, o edifício foi estatizado pelo regime comunista, servindo como escritórios, agência de viagens e até sorveteria, até cair em total abandono após a queda da União Soviética. A sua glória só foi totalmente resgatada em junho de 2019, quando, após uma restauração minuciosa de mais de quatro anos que recuperou cada detalhe dos mosaicos, vitrais e madeiras originais, o palácio reabriu as portas convertido em um dos hotéis de luxo de cinco estrelas mais deslumbrantes da Europa
Depois de mais um dia caminhando 14km, voltamos para o apartamento para renovar as energias.
Budapeste, cidade velha, também impressionou! Muita cultura e história em cada esquina, organizada, limpa, ótima comida. Já fora da área turística percebemos que as coisas andam diferente, muitos imigrantes, sujeira, um tanto desorganizado (presenciamos isso na estação de trem). Mas, isso kem relação aos outros países que visitamos. Ainda acho que estava mais organizado que parte da Itália, por exemplo. Percepção, não constatação, ok?