Depois de visitarmos o forte San Giorgio em Pula (Croácia) pegamos a estrada. A primeira ideia era passar em Trieste IT e dormir por lá, só para dar uma passada na outra pátria, mas Pula era tão italiana que foi praticamente a mesma coisa... resolvemos então tocar direto para a Eslovênia e incluir um novo local no roteiro, o famoso lago de Bled.
Mas antes ainda teria bastante coisa legal para conhecer.
Atravessamos a Ístria de sul até o extremo norte, 80km e depois entramos já na Eslovênia que faz fronteira. Mais uns 50km chegamos em nossa primeira parada do dia, Skocjan.
Ali tem o Park Škocjanske jame, Parque das Cavernas de Škocjan.
Império Romano: Século I a.C. – Século V d.C.
Principado de Karantanija (Primeiro Estado Eslavo): Século VII – Século IX
Domínio Franco / Sacro Império Romano-Germânico: Século IX – Século XIV
Império Habsburgo / Austro-Húngaro: Século XIV – 1918
Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (Reino da Iugoslávia): 1918 – 1941
Partilha e Ocupação pela Alemanha Nazista, Itália e Hungria: 1941 – 1945
República Socialista da Eslovênia (Iugoslávia Comunista): 1945 – 1991
República da Eslovênia (Dias Atuais): 1991 – Presente
Um dos pontos altos dessa viagem, na real, um dos lugares naturais mais sensacionais que conhecemos na vida. Infelizmente não é permitido nenhum tipo de foto ou filmagem dentro das cavernas, então colocarei apenas algumas fotos do próprio site oficial deles (www.park-skocjanske-jame.si).
São visitas guiadas, em grupos de cerca de 30 pessoas. Uma caminhada até cerca de 3km em 2h. Descemos até 226m abaixo da superfície, por passarelas e escadarias, tudo muito lindo. Tem trechos onde o teto de rocha acima da cabeça chega a 146m de altura, o mesmo que um prédio de 40 andares! Impressionante!
O Park Škocjanske jame (Parque das Cavernas de Škocjan), abriga um dos maiores e mais impressionantes cânions subterrâneos do planeta. Esculpido ao longo de milênios pelo violento fluxo do Rio Reka, com suas dimensões colossais, estalactites milenares e a imensa Cúpula de Martel, além da famosa ponte suspensa Cerkvenik, que cruza o abismo a quase 50 metros de altura.
Surreal!
Nossa próxima parada era 30km para frente, por estradas bem agradáveis, tranquilas. No caminho, como já era 13h30 paramos em um restaurante na estrada, Gostilna Hruševje, na localidade de Hruševje. Pedimos um prato de porco com batatas, nada mais europeu né.
Fomos até o Castelo de Predjama (Predjamski grad), famoso por estar incrivelmente encrustado na boca de uma caverna no topo de um penhasco de 123 metros. Construído originalmente no século XII em estilo gótico e posteriormente reconstruído no século XVI em estilo renascentista, hoje listado pelo Guinness Book como o maior castelo em caverna do planeta.
Mas tem uma história, ou lenda, bem interessante: Erasmo de Predjama (Erazem Predjamski) foi um lendário cavaleiro e barão do século XV que ficou conhecido como o "Robin Hood esloveno" por sua audácia e rebeldia contra o poderoso Império Habsburgo. A sua história ganhou contornos épicos quando ele matou um parente do imperador austríaco Frederico III para vingar a honra de um amigo e, para escapar da fúria imperial, refugiou-se em seu castelo inexpugnável encrustado na rocha. O exército do imperador cercou a fortaleza por mais de um ano para tentar vencê-lo pela fome, mas Erasmo usava uma rede secreta de túneis na caverna atrás do castelo para estocar suprimentos frescos e até zombar dos soldados, jogando cerejas colhidas na hora sobre as tropas. O herói rebelde acabou encontrando um fim trágico e um tanto tragicômico: um de seus próprios servos o traiu por dinheiro, acendendo uma lanterna sinalizadora quando Erasmo foi ao banheiro — que ficava estrategicamente na parte mais exposta e frágil da muralha —, permitindo que os soldados inimigos disparassem uma única e certeira bala de canhão de pedra, esmagando o cavaleiro em seu momento de maior vulnerabilidade. Morreu cagando!
Só visitamos a parte externa, pois a visita para as cavernas estavam fechadas no mês de abril, por causa de morcegos, sim, essa época ainda é reprodução deles e então as cavernas ficam fechadas ao público. Me parece que abria no mês seguinte já.
Pegamos estrada para o norte, sentido ao Lago de Bled, muito famoso, e queríamos saber o por quê.
Chegamos em Bled umas 16h30, estava bem movimentada a orla no centro, mas depois entendemos que eram obras na rua, estão revitalizando toda a orla. Antes de irmos para o apartamento, aproveitamos o dia ainda claro para conhecer.
Famosa por seu lago glacial de águas verde-esmeralda cercado pelos Alpes Julianos. O coração do vilarejo é a pitoresca Ilha de Bled (Blejski otok), a única ilha natural do país, coroada pela romântica Igreja da Assunção de Maria, e o imponente Castelo de Bled (Blejski grad), datado do ano 1011 e considerado o mais antigo da Eslovênia, ergue-se no topo de um penhasco de 130 metros.
Ficamos na orla oposta ao centro da vila, a vista é sensacional. Estava muito tranquilo, o pessoal curtindo o lago, nós tomando um café...
O Slovenian House Vida, foi outro achado. Um quarto muito grande, bem estilo alpino, com tudo perfeitamente limpo e confortável. Um pouco mais caro, pelo local, €84.
Como era tudo perto, tomamos um banho e depois fomos procurar algum lugar para jantar, sem muitas expectativas. Mas nos surpreendemos.
Fomos no Gostilna Murka, que tem vários ambientes, ficamos no pátio interno, mas casual. A Mi pediu um risoto e eu uma massa de frutos do mar. De certeza, a melhor que já comi.
Demos mais uma volta pelo lago, agora anoitecendo (20h30), lindo demais. E voltamos para descansar.
Dia 25abr, um sábado, acordamos cedinho, arrumamos nossas coisas e pegamos novamente as belas estradas da Eslovênia, agora para Ljubljana, a capital do país. De Bled até Ljubljana sõ 60km de autopista, então em menos de uma hora já chegamos.
A charmosa capital da Eslovênia, possui uma história rica que remonta à mitologia grega, com a lenda de que foi fundada por Jasão e os Argonautas após derrotarem um dragão, símbolo hoje visto muito na cidade. Colonizada pelos romanos no século I d.C. sob o nome de Emona, a cidade foi destruída pelos hunos de Átila no século V e ressurgiu com a chegada dos povos eslavos, florescendo a partir do século XIII sob o domínio do Império Habsburgo (Áustria), época em que ganhou sua marcante arquitetura barroca. Após sobreviver a um terremoto devastador em 1895, Liubliana foi reconstruída e embelezada e, após passar décadas como uma importante metrópole da antiga Iugoslávia, consolidou-se em 1991 como a capital da Eslovênia independente.
População do país: Cerca de 2,1 milhões de habitantes. Equivale à população de Curitiba.
População da capital (Ljubljana): Cerca de 285 mil habitantes. Equivale à população de Blumenau (SC).
Área do país: 20.273 km². Equivale ao menor estado brasileiro, Sergipe.
Idioma oficial: Esloveno (slovenščina) nacional, Italiano (italijanščina), Húngaro (madžarščina)
Estacionamos logo perto da ponte dos dragões, Zmajski most, na entrada da praça do mercado, a mais famosa, pois fica abaixo do Castelo. A qualidade dos produtos vendidos na praça, frutas, verduras, embutidos etc é absurdo.
Depois de dar uma volta fomos de teleférico para o Castelo, ali do lado mesmo, e esse não era abusivo.
O Castelo é muito bonito, localização privilegiada com uma vista total do antigo centro e dos Alpes Julianos.
Descemos novamente agora para conhecer o centro, que apesar de pequeno é bem exuberante. Fomos caminhando pela beira do Rio Ljubljanica (Liublianinho seria uma tradução). Esse rio é a alma da cidade, em torno dele é que foi edificada a cidade, além das pontes maravilhosas, os casarões, palácios e prédios de época.
Paramos em um restobar na beira do rio e pedimos uma tábua de frios com queijos da região e o café típico deles, mais no estilo turco.
Kofetkanje, significa o ritual de sentar em uma mesa ao ar livre, sem pressa, com um café e ver a vida passar.
Voltando para o carro paramos novamente na praça do mercado, a Mi pegou um doce, que é tipo um bolinho de chuva com geleia, muito bom. E ainda pegamos um morango mais perfeito ainda, para levar.
Tudo isso que fizemos e ainda era 11h15. Então seguimos viagem, agora de volta para a Croácia, a capital Zagreb.