O caminho de Dubrovnick para a a Bosnia é muito bonito. Pegamos a Državna cesta D8 (Estrada Estatal D8), que é a Adranska Magistrala (Rodovia do Adriático), a mesma que pegamos para ir até Montenegro, mas agora sentido oposto.
Ela vai beirando o mar, mas por cima da montanha, revelando lindas vistas a cada curva. 10km antes da fronteira com a Bósnia e Herzegovina pegamos a E73, sentido norte, interior do país. Essa rodovia vai beirando o Rio Neretva, o historicamente mais importante rio do país.
Império Romano: Século I a.C. – Século V d.C.
Império Bizantino: Século VI – Século XII
Banato e Reino da Bósnia (Eslavos do Sul): 1154 – 1463
Império Otomano: 1463 – 1878
Império Austro-Húngaro (Ocupação e Anexação): 1878 – 1918
Reino da Iugoslávia: 1918 – 1941
Integração à Croácia Fascista (Segunda Guerra Mundial): 1941 – 1945
República Socialista da Bósnia e Herzegovina (Iugoslávia Comunista): 1945 – 1992
Bósnia e Herzegovina (Dias Atuais após Guerra de Independência): 1992 – Presente
População do país (Bósnia e Herzegovina): Cerca de 3,2 milhões de habitantes. Equivalente à população do Distrito Federal.
População da capital (Sarajevo): Cerca de 275 mil habitantes. Equivale à população de Blumenau (SC).
Área do país: 51.129 km². Pouco mais da metade do território de Santa Catarina.
Idiomas oficiais: Bósnio (bosanski jezik), Croata (hrvatski jezik), Sérvio (srpski jezik / српски језик)
No caminho paramos em uma fortaleza medieval, a Počitelj. Outra imersão medieval.
Construída em um anfiteatro natural de rocha às margens do Rio Neretva, Počitelj foi uma vila medieval fortificada. Fundada no século XIV (1383) pelo rei bósnio Tvrtko I para controlar o acesso ao Mar Adriático, a vila ganhou contornos imponentes com o domínio do Império Otomano a partir do século XV, que nela imprimiu uma marcante arquitetura islâmica traduzida em ruelas de pedra, banhos turcos e na icônica Mesquita Hajji Alija (1563). Meticulosamente restaurada após sofrer severos danos durante a Guerra da Bósnia na década de 1990.
Seguimos pela E75 já de olho em algum lugar para comer, pois já era perto das 13h.
Já bem perto de Mostar, paramos em um restaurante na estrada, só tinha nós, mas conseguimos nos entender e pedimos um bife de vitela e porco acompanhado de salada.
Comida simples mas bem preparada, saborosa.
Cortada pelo Rio Neretva, cujo nome homenageia os antigos "guardiões da ponte" (mostari). Desenvolvida sob o Império Otomano a partir do século XV, a cidade tornou-se um ponto de encontro entre o Oriente e o Ocidente, famoso pela Stari Most (Ponte Velha), uma obra-prima da engenharia turca erguida em 1566. Após passar pelo domínio austro-húngaro e integrar a Iugoslávia, Mostar viveu seu momento mais trágico na Guerra da Bósnia, quando a icônica ponte de 427 anos foi bombardeada e destruída em 1993. Reconstruída pedra por pedra em 2004 com o esforço internacional.
Chegamos em Mostar e fomos procurar o apartamento que alugamos pelo Booking, o Apartman Simple. Um prédio pequeno, mas com elevador, daqueles de duas portas antigos, um apartamento bem lar, achamos que a pessoa inclusive mora ali e deve sair quando aluga. Nada moderno, mas tudo muito organizado, limpo e completo, inclusive com máquina de lavar roupa, que foi filtro para a pesquisa. Pagamos incríveis, €33.
Outra vantagem foi a localização, fica bem na entrada da cidade velha. Mostar foi uma grande surpresa, não esperava ser tão Oriental.
O Rio Neretva funciona quase como uma fronteira: o lado leste é predominantemente muçulmano (bosníaco) e o lado oeste é predominantemente católico (croata).
Atualmente, existem cerca de 20 mesquitas ativas com seus respectivos minaretes (as torres finas de onde se anuncia o chamado para as orações).
A competição foi grande, por isso existe uma torre da igreja franciscana de 107 metros.
A erança otomana é muito forte, não é de se extranhar, foram 426 anos de domínio (1452 a 1878). Abaixo seguem algumas fotos que mostram bem a herança arquitetônica e cultural.
A outra face de Mostar é a guerra da independência
A Guerra da Bósnia (1992–1995) foi o conflito mais sangrento e complexo decorrente do desmembramento da Iugoslávia. Com o colapso do bloco comunista, a Bósnia e Herzegovina realizou um plebiscito e declarou sua independência em 1992. O país, no entanto, era uma colcha de retalhos étnica e dividiu-se tridirecionalmente: os bosníacos (muçulmanos) e os croatas (católicos) apoiavam a independência, enquanto os sérvios bósnios (cristãos ortodoxos), apoiados pelo governo da Sérvia, rejeitavam a separação e queriam criar um Estado próprio integrado à "Grande Sérvia". O que se seguiu foi uma guerra civil brutal de três anos, marcada por cercos implacáveis a cidades — como o trágico Cerco de Sarajevo e os bombardeios a Mostar — e por uma violenta campanha de "limpeza étnica", que teve seu ápice no massacre de Srebrenica em 1995, onde mais de 8 mil homens muçulmanos foram assassinados.
O conflito só chegou ao fim em dezembro de 1995, após a intervenção militar da OTAN e a assinatura dos Acordos de Dayton, nos Estados Unidos. O tratado manteve a Bósnia como um único país independente, mas dividiu seu território internamente em duas entidades autônomas baseadas nas linhas étnicas da guerra: a Federação da Bósnia e Herzegovina (de maioria bosníaca e croata) e a República Srpska (de maioria sérvia).
E a outra faceta é a era medieval, (cristã/feudal), que foi do Séc XII até o Séc XV. O Reino da Bósnia caiu oficialmente em 1463 (quando o último rei bósnio foi executado pelos turcos) e a região da Herzegovina (onde fica Mostar) foi totalmente conquistada em 1482.
A Ponte Velha (Stari Most) é a joia da arquitetura otomana nos Bálcans, encomendada pelo sultão Solimão, o Magnífico, e concluída em 1566 para substituir uma antiga e instável ponte medieval de madeira. Erguida em um arco perfeito de 21 metros de altura sobre as águas do Rio Neretva. Resistiu a séculos de conflitos até ser tragicamente bombardeada e destruída em 1993, durante a Guerra da Bósnia. Foi meticulosamente reconstruída pedra por pedra em 2004, utilizando as mesmas técnicas do século XVI, e hoje se ergue novamente como o maior símbolo global de resiliência, reconciliação e união cultural da cidade.
A Ponte Torta (Kriva Ćuprija) é uma versão em miniatura da Stari Most, cruzando o pequeno riacho Radobolja bem no ponto onde ele deságua no Rio Neretva. Construída em 1558 (oito anos antes da Ponte Velha), especula-se ser um projeto de teste, para a principal. Sobreviveu intacta à Guerra da Bósnia nos anos 90, mas acabou sendo severamente danificada por uma forte enchente no ano de 1999, sendo posteriormente restaurada.
Já final do dia, apesar de ainda claro, 19h, primeiro paramos em um bar na beira do rio, ao lado da Ponte Torta, pedimos uma cerveja e aproveitamos para procurar na internet uma indicação de bom restaurante.
E ele ficava exatamente em frente desse que estávamos, o Hindin Han.
Muito bom, a localização privilegiada, as margens do Radobolja, um pequeno afluente do Neretva.
Pegamos uma mesa na sacada, e fizemos o pedido bem excêntrico... a Mi pediu Rã a milanesa e eu lula recheada e assada (mais me pareciam Chocos).
Estava tudo muito gostoso e bem servido.
Retornamos para o apartamento muito impressionado com Mostar.
Mais um país para ser melhor explorado, acredito que tenha muitas outras faces culturais.
Também foi muito interessante por ser nosso primeira experência em um país com cultura oriental bem forte.
No dia seguinte voltamos para a Croácia para continua a subir e ainda visitar outros países...
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