População do país (Polônia): Cerca de 37,3 milhões de habitantes. São Paulo (capital) tem 12 milhões.
População da cidade (Varsóvia): Cerca de 1,8 milhão de habitantes.
População da região metropolitana: Cerca de 3,1 milhões de habitantes. Mesma que Brasília DF
Área do país: 312.696 km2. Praticamente o mesmo tamanho do estado do Maranhão, duas vezes o tamanho do estado do Paraná.
Idioma oficial: Polonês (język polski)
Fundada na virada do século XIII para o XIV, Varsóvia tornou-se a capital da Polônia em 1596 devido à sua localização estratégica, florescendo como um centro cultural e político até ser sucessivamente ocupada e partilhada por potências vizinhas. O capítulo mais dramático de sua história ocorreu na Segunda Guerra Mundial, quando a cidade foi palco do heróico Levante de Varsóvia em 1944 e acabou quase totalmente destruída pelas tropas alemãs por ordem de Hitler. Surpreendendo o mundo no pós-guerra, a capital foi meticulosamente reconstruída pelos seus próprios cidadãos com base em registros históricos, um esforço que lhe rendeu o título de Patrimônio Mundial da UNESCO e a transformou hoje em uma metrópole vibrante que equilibra arranha-céus modernos com a memória resiliente de seu passado.
Polônia, nos apaixonamos por esse país, organização, infra, limpeza, cultura, gastronomia, história.
Chegamos final da tarde da sexta, umas 16h30, pegamos um trem do aeroporto até a estação próxima do hotel que já tínhamos reservado pelo booking, único que reservamos com antecedência, pois chegar de viagem em país novo e ainda procurar hospedagem não é legal. O trajeto, muito agradável foi de cerca de 45 min, o transporte público impressiona.
O Hotel Tulip Residences Warsaw Targowa foi ótimo, tudo muito novo, bom espaço, ótima cama e chuveiro.
Tomamos um banho e descemos para jantar ali mesmo no hotel e acertamos, estava uma delícia, começamos muito bem, pedimos Schnitzel e uma cerveja escura.
Depois de uma 30h de viagem, contando desde a ida ao aeroporto de Guarulhos até a chegada no hotel, claro que estávamos acabados hehe então, mesmo com muita vontade de sair e desbavrar o novo território, fomos dormir.
POLÔNIA
Surgida como reino no século X, atingiu seu auge entre os séculos XVI e XVII com a Comunidade Polono-Lituana, uma das maiores potências da Europa. No entanto, enfraquecida por conflitos internos e invasões, a Polônia foi dividida entre Rússia, Prússia e Áustria no final do século XVIII, desaparecendo como Estado por 123 anos.
Recuperou sua independência em 1918, após a Primeira Guerra Mundial, mas foi o epicentro da devastação na Segunda Guerra Mundial, sofrendo ocupações brutais e o horror do Holocausto. Após 1945, viveu décadas sob o regime comunista soviético até que o movimento Solidariedade (Solidarność), nos anos 80, liderou a transição para a democracia, culminando na Polônia moderna, hoje membro da União Europeia e da OTAN, a economia polonesa mantém um crescimento resiliente, reafirmando o protagonismo do país como um motor industrial e estratégico no coração da Europa.
Sábado, umas 7h30 já estávamos na rua, caminhando até o centro histórico que ficava 2,7km do hotel. Depois de atravessar a ponte Śląsko-Dąbrowski, seguimos em direção ao Castelo Real de Varsóvia, centro da cidade velha. Fomos andando sem rumo, só apreciando as antigas e maravilhosas construções.
Um comentário, ou dica, como queiram... IA (Gemini) é absurdo como ajudou nessa viagem. Pesquisei antes as melhores opções de transporte do aeroporto para o hotel, como funcionava o sistema de pagamento das passagens, principais pontos turísticos e a história deles, comidas, bebidas, restaurantes etc etc
Logo ao lado do Barbacã de Varsóvia, paramos para tomar nosso café da manhã, um típico café polonês, com pepino, tomate, pão, ovo, linguiça e café, claro.
Estava bastante frio nesses dias, uns 6 graus nessa manhã.
O Barbacã de Varsóvia (Barbakan Warszawski), construído em 1540, é uma imponente estrutura defensiva renascentista que unia a Cidade Velha à Cidade Nova.
Embora tenha se tornado militarmente obsoleto pouco após sua criação e servido em apenas um grande cerco contra os suecos em 1656, ele permanece como um símbolo de resistência nacional.
Quase totalmente destruído pela Alemanha Nazista durante o Levante de Varsóvia em 1944, o monumento foi meticulosamente reconstruído nos anos 50 com tijolos históricos de outras cidades polonesas, consolidando-se hoje como um dos principais marcos turísticos e culturais da capital, integrando o Patrimônio Mundial da UNESCO.
Castelo Real de Varsóvia
Tribos Eslavas Ocidentais (Polanos): Século VI – 966
Reino da Polônia (Dinastias Piast e Jagiellon): 966 – 1569
Comunidade Polaco-Lituana: 1569 – 1795
Partilhas da Polônia (Domínio de Prússia, Áustria e Rússia): 1795 – 1918
Segunda República Polonesa: 1918 – 1939
Ocupação Nazista (Segunda Guerra Mundial): 1939 – 1945
República Popular da Polônia (Bloco Soviético): 1947 – 1989
Terceira República da Polônia (Dias Atuais): 1989 – Presente
Relógio de sol de horas itálicas
Continuamos andando pela cidade, depois de sair da cidade velha (Stare Miasto), fomos em direção sul peo Trajeto Real.
Como já era por volta do meio dia fomos procurar um restaurante com comida típica polonesa, que estávamos ansiosos para experimentar.
Pedimos uma sopa (Żurek) de centeio azeda com linguiça e ovo e pierogi de carne. Veio junto um molho feito com gordura de pato. Pra acompanhar fui de cerveja. Pronto, deu ruim... não era pra comer tanto, mas não resisti. Resultado foi que fiquei empanturrado até o dia seguinte hehe
1370 simboliza a transição da Polônia medieval para uma potência multinacional, enquanto 1956 simboliza o primeiro suspiro de autonomia sob o jugo soviético.
Marie Curie (Maria Skłodowska-Curie): A primeira pessoa a ganhar dois prêmios Nobel (Física e Química) e descobridora do rádio e do polônio.
Palácio da Cultura e Ciência (Pałac Kultury i Nauki ou PKiN) - inaugurado em 1955 como um "presente" de Josef Stalin à Polônia, é o monumento mais controverso de Varsóvia por simbolizar décadas de dominação soviética.
Construído em estilo realismo socialista com toques renascentistas poloneses, o imponente arranha-céu sobreviveu a propostas de demolição após a queda do comunismo e foi tombado como patrimônio histórico em 2007.
Hoje, embora ressignificado como um vibrante centro cultural que abriga museus, teatros e cinemas, ele permanece como um marco visual inconfundível que narra a complexa transição da Polônia da era totalitária para a modernidade europeia.
Frédéric Chopin (Fryderyk Chopin): O gênio do piano. Embora tenha nascido nos arredores, cresceu e estudou em Varsóvia. Seu coração (literalmente) está enterrado na Igreja da Santa Cruz.
Outros nomes da Polônia: Papa João Paulo II (Karol Wojtyła), Nicolau Copérnico, Roman Polanski, Lech Wałęsa
Depois de caminhar um montão em média caminhamos 12km por dia nessa viagem) voltamos para o hotel, descansamos, e depois voltamos a noite para a cidade velha para curtir as luzes, e jantar, dessa vez de tram (trem, bonde, de superfície).
A Rynek Starego Miasta (mercado da cidade velha) é uma praça com alguns restaurantes, muitos servem do lado de fora, mas estava muito frio, então optamos por entrar, no Bazyliszek.
A Mi queria comer a sopa azeda, mas no pão, tradicional, mas era sábado e chegamos um pouco tarde, já não tinham mais pães. Eu realmente estava empanturrado, então fui só de cerveja (pão líquido). De entrada acabou que veio pão e um patê de linguiça, muito parecido com a linguiça Blumenau, comi também e fiquei satisfeito.
Paramos ainda numa portinha que vendia uns salgados, e pegamos para o café da manhã, saímos de lá faceiros, e retornamos para o hotel pois dia seguinte teria viagem.
População de 680 mil habitantes, um pouco mais que Florianópolis SC.
Nome polonês é Wrocław, e em alemão Bresslau, mas obviamente os poloneses não gostam desse nome. Possui uma história fascinante marcada por uma constante troca de soberania entre poloneses, boêmios, austríacos, prussianos e alemães. Originalmente um assentamento piast no século X, a cidade floresceu como um centro comercial na Europa Central, passando a se chamar Bresslau sob o domínio germânico por séculos. Após ser transformada em uma fortaleza e sofrer destruição massiva durante o cerco na Segunda Guerra Mundial, a cidade foi devolvida à Polônia em 1945, o que resultou em uma troca quase total de sua população e um esforço monumental de reconstrução. Hoje, Wrocław é uma das cidades mais dinâmicas e jovens da Polônia, celebrada por sua arquitetura gótica e barroca restaurada e sua vibrante cena cultural.
Domingo, friozinho forte, logo cedo arrumamos as malas e fomos para o aeroporto, mas para pegar o carro que aluguei pelo rentcars.com ainda no Brasil. Queria ter pego um Skoda, marca Tcheca, que ainda não dirigi, mas nos deram um Kia Ceed station wagon, ótimo carro, forte e econômico.
Seguimos em direção a Wroclaw, primeiro pela autopista e depois por pistas secundárias. Isso chamou atenção, as pista secundários são únicas, maior parte sem faixa, sem acostamento, mas asfalto bom, passando por localidades menores.
Paramos em uma delas no caminho, uns 200km de Varsóvia, para ir se familiarizando, Uniejów. Descemos, tiramos umas fotos e continuamos.
O próximo destino, 80km a frente, foi o Castelo Gołuchów, lugar muito lindo. Fizemos somente a visita externa, que é gratuita, praticamente um parque.
Zamek w Gołuchowie
Originalmente construído por volta de 1560 como uma mansão defensiva de estilo renascentista para a família Gołuchowski, o castelo passou por sua transformação mais radical no século XIX. Em 1872, a condessa Izabella Czartoryska adquiriu a propriedade com um objetivo ambicioso: transformá-la em um museu vivo para abrigar sua vasta coleção de arte. Ela contratou arquitetos franceses para reconstruir o castelo no estilo neorrenascentista francês, adicionando as icônicas torres de telhados íngremes e ardósia que vemos hoje.
Rodamos mais uns 140km e chegamos na Bratislava, direto no hotel que reservamos no dia anterior, tudo pelo booking.com o Campanile Wroclaw Centrum, era 17h00. Bem localizado, estacionamento privado, com ponto de Tram (metro de superficie) bem em frente. Não era tão novo quanto o anterior, mas estava tudo em ordem e bem confortável.
Tomamos um banho e já seguimos para o centro, eram 19h, andando mesmo, para conhecer e jantar, só 2km.
Monumento ao Transeunte Anônimo de Jerzy Kalina.
É uma homenagem visual à resiliência dos poloneses que enfrentaram o regime comunista na clandestinidade e conseguiram retornar à luz com a redemocratização do país.
A foto não mostra, mas do outro lado da rua tem as pessoas ressurgindo da calçada.
A Bratislava é conhecida pela arte, e muita coisa em bronze nas ruas, principalmente os gnomos.
Os gnomos, nos anos 80 com a Alternativa Laranja, um movimento de resistência anticomunista, usavam o humor para protestar: quando a polícia apagava pichações contra o regime, os ativistas pintavam gnomos por cima. Depois vieram os de bronze pela cidade toda.
Depois de dar uma volta na cidade velha, que não é muito grande, paramos na frente do prédio da prefeitura, e lá no porão tem um restaurante, surreal, o Piwnica Swidnicka. A sorte, muita sorte, é que era domingo de Páscoa, e ele estava aberto e ainda conseguimos lugar.
Restauracja Piwnica Świdnicka
Localizada no porão da prefeitura de Wrocław, a Piwnica Świdnicka é considerada a cervejaria e o restaurante mais antigo da Europa, com registros que remontam a 1273. Durante mais de setecentos anos, o local foi o coração da vida social da cidade, recebendo figuras históricas como Chopin, Goethe e imperadores em seus salões góticos. Apesar de ter sido severamente danificada durante a Segunda Guerra Mundial, a taverna foi restaurada e mantém até hoje sua arquitetura medieval original, com tetos em abóbada de tijolos, preservando a tradição de servir a culinária regional polonesa e cervejas artesanais no mesmo local onde os cidadãos da Idade Média se reuniam.
Melhor coisa é viajar fora de temporada, só assim para conseguir sem reserva encontrar e conhecer essas pérolas. Eu fiquei realmente emocionado de poder estar ali naquele restaurante, afinal são 753 anos de muita história, tem ideia disso?
Eles também são cervejaria, então pedi uma cerveja dunkel (escura), que no frio vai bem demais. Tinha uma que queria, bem tradicional deles, mas não tinha, mas a que peguei estava muito boa.
Pedimos uma entrada de salsichas polonesas de caça (javali) com molho redução de cerveja e pure (bem diferente). O prato principal, não poderia ser outro: joelho de porco com purê de batata com chucrute e raiz forte.
Além da história que valeria o ingresso, a comida perfeita, a cerveja perfeita, a conta também veio perfeita... valor muito justo e muito abaixo do que imaginamos.
Retornamos para o hotel descansar, que o dia foi intenso. Nossa rotina em nossas viagens é bem regrada, normalmente andamos muito todo dia, então acabamos dormindo cedo, pelas 22h e logo pelas 7h já iniamos o dia.
Segunda, na realidade segunda molhada, feriado na Polônia. É o dia em que as pessoas jogam água umas nas outras. Antigamente, era uma tradição rural onde os rapazes jogavam baldes de água nas moças que gostavam, mas hoje virou uma brincadeira geral entre amigos e familiares. O significado: originalmente, a água simbolizava purificação e fertilidade com a chegada da primavera. Mais essa sorte, ninguém nos molhou hehe
Fomos conhecer mais de Wroclaw. A cidade é mesmo linda, charmosa e exala arte. Desde as fachadas dos prédios pintadas, portas exuberantes, até os telhados são obras de arte.
Paramos numa Piekarnia (padaria) e pedimos café e um chaczapuri (pão com ricota), que depois soube ser de origem Georgeana.
Essa próximas imagens são do prédio da prefeitura, aquele que tem o restaurante no porão. Os detalhes são incríveis, cada canto um detalhe.
Wroclaw é banhada pelo rio Oder e um grande canal dele, por isso é conhecida por ser a cidade das 100 pontes, mas não sei se tem tudo isso hehe
Fomos margeando o rio, com prédios lindos, paramos para um café, depois outro e assim por diante até chegar na universidade, que é outra obra surreal.
Fundada originalmente em 1702 pelo imperador austríaco Leopoldo I como uma academia jesuíta, a Universidade de Wrocław é uma das instituições de ensino mais prestigiadas da Europa Central, tendo formado nada menos que 9 vencedores do Prêmio Nobel. Destacando-se por sua arquitetura barroca monumental. Ao longo dos séculos, a instituição foi um polo de excelência científica sob o domínio prussiano e alemão. Após a devastação da Segunda Guerra Mundial e a incorporação da cidade à Polônia, a universidade foi reconstruída e polonizada por acadêmicos vindos de Lviv, mantendo até hoje sua tradição de rigor intelectual e sendo um símbolo da resiliência e da herança multicultural da região.
Igreja do Nome de Jesus faz parte do imponente complexo barroco da universidade e é considerada uma das igrejas barrocas mais deslumbrantes da Europa Central. Foi construída pelos jesuítas entre 1689 e 1698. Seu interior é uma explosão de ouro, esculturas e afrescos em perspectiva que criam uma ilusão de profundidade incrível no teto. Surpreendentemente, foi um dos poucos monumentos de Wrocław que não foi destruído durante o cerco de 1945 na Segunda Guerra Mundial, mantendo seu esplendor original intacto.
Essas marcas de balas na Igreja do Nome de Jesus (e em vários outros edifícios de Wrocław) são cicatrizes do Cerco de Breslau, que ocorreu no final da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Em 1945, Hitler declarou que a cidade era uma "fortaleza" que deveria ser defendida a todo custo contra o avanço do Exército Vermelho (União Soviética). A cidade foi cercada e bombardeada brutalmente por quase três meses (de fevereiro a maio de 1945).
Os combates foram travados rua a rua, casa a casa. Wrocław foi uma das últimas grandes cidades alemãs a se render, capitulando apenas em 6 de maio de 1945, apenas dois dias antes da rendição oficial da Alemanha.
Curiosidade: Em muitas cidades polonesas, durante as restaurações, os arquitetos optam por não tapar alguns desses buracos de bala. Eles são deixados propositalmente como um "memorial silencioso" para que as gerações futuras não esqueçam a violência da guerra.
A cidade de Wroclaw começou numa ilha, que era um assentamento fortificado, no século X, a Ostrów Tumski (Ilha da Catedral).
Atravessar a ponte de ferro para a ilha, é como entrar num túnel do tempo.
Terminamos o passeio por Wroclaw perto do meio dia, então resolvemos pegar um tram, retornar ao hotel e seguir viagem, em direção as montanhas, mais frio ainda...
A Região que escolhemos foi a baixa Silésia, já na divisa com a Tcheca, e na noite anterior procurando no booking encontramos uma hospedagem que parecia ser boa e com promoção, EUR 35. Seguimos para lá.
Saímos por uma estrada bem secundária, daquela pista única sem acostamento. Como já era passado do meio dia ficamos de olho pra ver se tinha alguma parada de estrada, mas isso lá não é comum, ainda mais em um feriado prolongado. Mas não é que tinha um restaurante de estrada aberto! E que restaurante, o Karczma Słowiańska, na pequena localidade de Mazurowice. Restaurante bem típico, não só pelo estabelecimento, mas também pela comida.
A Mi pediu uma sopa de entrada e eu um Placek Ziemniaczany z gulaszem, que é uma panqueca de batata com goulasch de porco e salada de beterraba. Absurdamente gostoso! Que sorte e surpresa esse restaurante.
Logo ali ao lado, 10km, paramos no Mosteiro Cisterciense em Lubiąż. Ali aprendemos que alguns lugares na Polônia não aceitam cartão de crédito, por sorte tinha alguns euros guardados. A moeda da Polônia é o Złoty (PLN), que estava valendo cerca de 1/4 de Euro.
O Mosteiro Cisterciense em Lubiąż, fundado no século XII, 1163, como a primeira abadia da ordem na Silésia, evoluiu de um centro de inovação agrícola medieval para se tornar uma das maiores obras-primas do barroco mundial, ostentando uma fachada monumental que supera a de Versalhes em extensão. Após atingir seu apogeu artístico e econômico no século XVIII, o complexo sofreu um longo declínio ao ser secularizado pela Prússia e, posteriormente, utilizado pelos nazistas como fábrica secreta de armamentos e laboratórios, e pelos soviéticos como hospital e armazém, resultando em saques e degradação.
Depois da visita rodamos mais 1h30, uns 90km até Jelena Góra e até o Pałac Na Wodzie, o hotel que reservamos. Aí veio a maior surpresa, tratava-se de um Palácio do século XVIII (1786), de alto padrão, tudo...
Construído por iniciativa de Henrique XXXVIII von Reuss, o palácio é um excelente exemplo da arquitetura residencial neoclássica. Tem um terraço, uma fonte e um lago, o que deu ao palácio seu nome popular, "Palácio sobre as Águas".
Nos acomodamos, tomamos um banho e resolvemos prestigiar o restaurante do hotel, em um dos maravilhosos salões do palácio. Pedimos um pato ao molho de vinho do porto com repolho roxo. Eu fui de cerveja artesanal e a Mi de vinho. Estava muito gostoso, e a apresentação também.
Foi tão agradável o lugar que resolvemos ficar mais uma noite e no outro dia fazer uns passeios pela região.
Acordamos cedo, como de costume e fomos tomar o café da manhã, e que café da manhã... saladas, muitos embutidos locais, queijos, arenque, pães, variedades de ovos, salsichas, doces, difícil o que não tinha. Fizemos uma bela refeição.
Subimos a montanha até Karpacz, uma vila que tem estação de ski e hotéis spa de inverno. Lá também fica a Świątynia Wang, Igreja de Madeira de Vang.
A Igreja de Madeira de Vang (Świątynia Wang) possui uma trajetória singular: construída originalmente por volta de 1200 na Noruega (na cidade de Vang), a estrutura é uma rara "igreja de pilar" (stavkirke) feita de pinho nórdico sem o uso de pregos metálicos.
No século XIX, o edifício tornou-se pequeno para a congregação local e foi comprado pelo rei Frederico Guilherme IV da Prússia, que planejava levá-lo para Berlim; no entanto, por influência da condessa Frederica von Reden, a igreja foi transportada em peças e reconstruída em 1842 em Karpacz, na região da Baixa Silésia (atual Polônia), para atender aos montanheses locais.
Hoje, situada aos pés das montanhas Karkonosze, a igreja é um dos monumentos mais visitados do país, fundindo o misticismo viking — visível nos seus entalhes de serpentes e dragões — com a tradição cristã luterana, permanecendo como um símbolo único de migração cultural e preservação arquitetônica.
Em Staniszów, outra vila, tentamos visitar o Castelo do Principe Henryk, Zamek księcia Henryka, mas estava fechado, abrindo somente final de maio. Mas valeu a vista para a Serra de Karkonosze.
Fomos conhecer o centro de Jelena Góra, também precisávamos almoçar, comprar umas coisas no supermercado e sacar dinheiro em um ATM.
Logo na praça central existem vários restaurante, paramos em um deles. Pedimos um schnitzel com molho de cogumelos, batatas e ovo. Só não imaginávamos ser tão grande!
Fica uma dica: a maioria dos pratos servidos na Europa, são bem grandes. Eu e a Mi normalmente pedimos um prato somente e mais uma entrada, as vezes.
Depois daquele prato não iríamos jantar, então passamos do mercado, compramos um pãozinho, uma sopinha, arenque, cerveja e foi só alegria.
Foi um dia bastante contemplativo, dos poucos que quase não camelamos.
Dia 08abr, quarta, acordamos e nos deparamos com geada forte, delícia. Tomamos um reforfaçado e prazeroso café da manhã do Palácio e tocamos em frente, sentido Kraków.
Nossa primeira parada, depois de uns 220km, foi no Moszna Zamek, Castelo de Moszna.
Europa... cada curva uma surpresa, um castelo centenário, uma ruína milenar.
O Castelo de Moszna, tem 99 torres e 365 quartos, parace sair de contos de fadas. Construído originalmente no século XVII, o edifício ganhou sua forma atual após um grande incêndio em 1896, quando o magnata industrial Franz Hubert von Tiele-Winckler decidiu reconstruí-lo misturando de forma audaciosa os estilos barroco, neogótico e neorrenascentista. Durante a Segunda Guerra Mundial, a família Tiele-Winckler fugiu antes da chegada do Exército Vermelho, e o castelo, que milagrosamente sobreviveu à destruição física, serviu posteriormente como centro de convalescença e hospital psiquiátrico durante décadas. Hoje, cercado por um vasto parque famoso pelas suas azaleias e rododendros, o castelo funciona como hotel e museu.
Mais a frente paramos em um restaurante numa vila bem pequena e comemos um porco com batatas, nada especial mas gostoso.
Mais uns 150km e chegamos, em frente ao campo de concentração de Auschwitz. Não entramos, não quisemos. Em 2018 visitamos um campo de concentração na Alemanha, Dachau, e a experiência não é nada agradável, então um só basta. Não vou escrever nenhuma referência histórica, só minha impressão, mesmo não entrando, o lugar é absurdamente grande.
População de 815 mil habitantes, um pouco mais que duas Blumenau SC.
Considerada o coração da Polônia, a Cracóvia foi a capital oficial do país por mais de 500 anos, desde o século XI até 1596, quando a sede do poder foi transferida para Varsóvia. Situada às margens do Rio Vístula, a cidade floresceu na Idade Média como um próspero centro comercial e intelectual, abrigando a Universidade Jaguelônica — uma das mais antigas do mundo — e o complexo real de Wawel, onde reis eram coroados e sepultados. Ao contrário de outras cidades polonesas, a Cracóvia escapou da destruição total durante a Segunda Guerra Mundial, preservando intacto o seu centro histórico medieval, que se tornou um dos primeiros locais do mundo declarados Patrimônio Mundial pela UNESCO.
Chegamos no aeroporto de Cracóvia, Kraków, perto das 17h e entregamos o carro, depois de 1043km rodados.
Já pegamos um trem e seguimos para a acomodação reservada.
A acomodação foi a 4Wings Apartments, um quarto em um edifício bem antigo numa rua perto do centro antigo. Bem confortável, silencioso, cama e chuveiros ótimos, e barato.
Nos organizamos e procuramos um restaurante por perto, com ajuda do Gemini e o TripAdvisor. Era apenas duas quadras. Mas italianos teimosos que somos, no caminho vimos uma placa de outro, indicando uma rua pequena, e entramos. Acertamos!
Klimaty Południa - Restauracja i Winiarnia. Escolhemos de entrada uma sopa e um Policzki wołowe sous vide, purée ziemniaczano-serowe, sos winno-balsamiczny, oliwa szczypiorkowa, marynowana marchew, que é Bochechas de boi sous vide, purê de batata com queijo, molho de vinho e balsâmico, azeite de cebolinha, cenoura marinada. Uma deliciosa cerveja para acompanhar.
Tomamos o café da manhã em uma Piekarnia (padaria) em frente ao quarto, e depois fomos andando para o centro.
O epicentro da Stare Miasto (Cidade Velha) é uma praça do século XIII, a Rynek Glówny, ao centro o prédio da prefeitura antiga que agora é um mercado, e embaixo tem ruínas da cidade medieval, que fizeram um museum. Fomos conhecer, muito interessante.
Depois fomos procurar assessórios de frio, pois estávamos congelando, eu peguei um par de luvas e a Mi um cobertor de orelha. Estava fazendo 1 grau.
No dia anterior compramos ingressos para a Mina de Sal, um lugar surreal.
Nossa entrada era 13h, e tínhamos um deslocamento de cerca de 1h de trem.
Localizada em Wieliczka, na região metropolitana de Cracóvia, a Mina de Sal de Wieliczka é uma das mais antigas e impressionantes do mundo, operando continuamente desde o século XIII até 2007. Com profundidades que chegam a 327 metros e uma rede de túneis que se estende por quase 300 quilômetros, a mina é célebre por abrigar uma verdadeira cidade subterrânea esculpida inteiramente em sal gema por gerações de mineradores, incluindo lagos salinos, câmaras monumentais e capelas deslumbrantes, como a de Santa Kinga, onde até os candelabros são feitos de cristais de sal. Declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1978, a mina combina história industrial e arte sacra, atraindo milhões de visitantes que percorrem seus caminhos para admirar a fusão única entre a engenhosidade humana e as maravilhas geológicas do subsolo polonês.
Tudo muito organizado como sempre. As visitas são guiadas, então existem filas separadas para os diversos idiomas dos guias, fomos no espanhol. Como chegamos um pouco mais cedo, ainda deu tempo de comprar um café e uma porção de batatas belgas.
A aventura começa com uma descida de aproximadamente 800 degraus, sendo que os primeiros 380 são em uma escadaria de madeira em caracol para chegar ao primeiro nível (64 metros de profundidade).
Caminhamos no total cerca de 3 km por túneis e câmaras, a temperatura é constante o ano todo, em torno de 14°C a 16°C, a gradável, e o ar na mina é extremamente puro, livre de alérgenos e rico em iodo, sendo considerado terapêutico para quem tem problemas respiratórios, intersssante!
Este é o momento "uau" da visita. É uma catedral subterrânea colossal, onde absolutamente tudo — do chão de "mármore" (que na verdade é sal polido) aos candelabros de cristal e os relevos da "Última Ceia" nas paredes — foi esculpido em sal.
As estruturas de madeira na Mina de Wieliczka, compostas por imensos troncos e vigas de pinho, são sistemas vitais de sustentação projetados para suportar a pressão colossal das camadas de terra e evitar o colapso das cavernas escavadas. Curiosamente, os mineradores utilizavam madeira em vez de metal porque o ambiente salino corrói o ferro rapidamente, enquanto o sal penetra nas fibras da madeira, "mumificando-a" e tornando-a tão dura e resistente quanto o aço ao longo dos séculos. Muitas dessas estruturas são organizadas em empilhamentos quadrados chamados "cunas" ou em elegantes suportes que lembram arcadas de catedrais, frequentemente cobertos por formações naturais de cristais de sal que parecem neve, transformando uma necessidade de engenharia em uma parte integrante da estética monumental e histórica do subsolo.
Terminamos a visita 15h30 e voltamos para o quarto para descansar um pouco.
Andamos 11km nesse dia, nada mal né.
Mais tarde fomos jantar no restaurante que tínhamos marcado no dia anterior, o Czarna Kaczka, The Black Duck.
Pedimos o tradicional, uma sopa azeda, goulasch e panquecas de batata.
No outro dia, 10abr, sexta, fomos cedo ao pátio do colégio para ver o famoso mas sem graça) relógio. Paramos no caminho da volta para tomar um café da manhã, diferente eu diria hehe
A Milene pediu um café árabe, ou marroquino, algo assim, e era pura pimenta. Eu pedi um pão com salmão e ovos, delicioso. Mas sabe como acabou a história né...
Voltamos para o quarto que ficava ao lado, pegamos nossas coisas, compramos uns lanches prontos no mercadinho do caminho e andamos até a estação central de trem de Kraków, a Kraków Glówny, para pegar nosso trem até o próximo país da viagem, República Tcheca.
E assim acabou a primeira etapa da Polônia dessa viagem, pois ainda voltamos para Varsóvia no final para pegar o voo de volta ao Brasil.
A Polônia deixou saudades, que lugar SENSACIONAL!